As máscaras que criamos no dia-a-dia.
“Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo.” - Pe. Fábio de Melo
Vivemos dessa experiência diária, de se descobrir a cada dia, a todo tempo passamos pela experiência não apenas de estar, mas de ser parte do mundo.
Vez ou outra a gente se vê no que o outro acha de nós, interessante perceber que muitas vezes as pessoas confirmam não só aquilo que somos, mas o que não somos. Não ser é também se afirmar, é parte daquilo que queremos ou não passar para o outro. O que não sou é tudo aquilo que sei que não me faz bem.
Talvez esse devesse ser nosso desejo ao acordar, que nosso projeto de vida durante o dia seja ser eu mesmo. Não vou hoje aceitar as máscaras que as pessoas colocam em mim, pois sei quem eu sou, meus limites, defeitos, mas também sei das minhas qualidades e tudo aquilo que me faz melhor. É disso que quero viver, da certeza que posso dar ao outro o melhor de mim.
Bonito a gente perceber que esse processo depende muitas vezes também do olhar que os outros nos lançam, quantos olhares de condenação a gente tem que suportar?! Quantas vezes queremos uma mudança e assumimos conosco esse compromisso, de ser bom, mas somos impedidos pela visão paralisada que o outro possui de nós. É por isso que a prática requer ainda mais esforços, mas tentar mudar é o desafio, tentar mudar é amar; é amar-se, pois lança um novo olhar sobre si e o que precisa ser mudado, e amar ao outro pois o lança também um novo olhar.
Era isso que Jesus fazia, olhava as pessoas de acordo com o que elas ainda poderiam ser. Não se prendia ao passado, pouco importava para Ele o que aquela pessoa tinha feito na vida, o que importava era a capacidade que ela tinha de se renovar. Ser Cristão no mundo de hoje, ou seja, viver aquilo que O Cristo deixou é lançar esse mesmo olhar, é assumir o outro de acordo com o que ele é e não com o que gostaríamos que ele fosse. O julgamento humano, minha gente, quase sempre é injusto, porque se baseia em opinião pessoal e reflete nossos próprios interesses! E se o julgamos melhor ou pior corremos dois riscos: o de nos decepcionarmos por algo que o outro não deveria ser, ou condená-lo por ele não ser aquilo que você quer. E muitas vezes vamos aprisionando os outros, ou pior, vamos vivendo isso, vivendo aquilo que o outro nos impõe, o que ele gostaria que fôssemos. O que julgamento tem a ver com máscaras? É exatamente o julgamento humano que nos faz criá-las.
O grande desafio é exatamente esse, assumir seu papel, viver de acordo com o que você sabe a seu respeito porque pouco importa esse olhar de condenação que nos lançam. Pouco importa o que o outro pensa a seu respeito, “porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito.” (Pe. Fábio de Melo)
E estar bem com você é estar em comunhão com Deus, é chegar ao fim do dia e poder dizer: Eu fui quem Eu deveria ter sido, Eu fiz o que Eu deveria ter feito, vivi o mEu papel e cumpri a responsabilidade de ser Eu. (assim mesmo com letra maiúscula, pra não esquecer o quanto sou importante.)
Cauê Castro
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